TOXOPLASMOSE
A toxoplasmose é uma zoonose cosmopolita (encontrada em todas as partes do mundo). É provocada por um protozoário, o Toxoplasma gondii. É considerado um eurixeno (capaz de infectar animais em diferentes níveis da escala zoológica).
O toxoplasma gondii é um parasito intracelular que invade todos os tipos de células nucleadas do organismo do hospedeiro (pancitotropismo), mas sua afinidade maior é pela células do sistema fagocítico mononuclear, para os leucócitos e para as células parenquimatosas.
Os hospedeiros definitivos são os felídeos. São nos gatos infectados onde ocorre a formação do oocisto, forma infectante que contamina o meio ambiente, outros gatos e o ser humano.
A Toxoplasmose é uma doença considerada benigna, pois quando uma pessoa sadia entra em contato com o parasita, as próprias defesas do organismo são suficientes para evitar maiores danos. No entanto, dependendo do estado físico (mau nutrição, estress, doenças imunodepressoras, transplantes, gravidez, etc) pode acontecer queda das defesas orgânicas e o indivíduo desenvolver uma das formas da doença.
SINAIS E SINTOMAS
A forma assintomática constitui a maioria dos casos e sua importância está na possibilidade da transmissão congênita quando ocorrer durante a gravidez. Existem casos em que os elementos clínicos são escassos e constituídos por febre de curta duração acompanhada por outros distúrbios não característicos que não permitem uma suspeita diagnóstica correta, em outros casos, os sintomas apresentam-se bem evidentes.
A linfadenopatia (aumento dos gânglios) acometendo principalmente a cadeia cervical, em especial a posterior, é a manifestação mais freqüente.
A febre é outro sintoma bastante comum, com sua frequência variando em diferentes porcentagens. Pode ser elevada, às vezes contínua, outras com predomínio vespertino, e raríssimamente apresentam duração superior a um mês. Hepatoesplenomegalia em um terço dos casos, mialgias, sudorese noturna, dor de garganta e erupções cutâneas também são alterações clínicas freqüentes. Algumas vezes o quadro clínico assemelha-se ao da mononucleose infecciosa, inclusive com elevado número de linfócitos atípicos no sangue periférico. A forma linfoglandular é benígna e autolimitada com os sintomas desaparecendo em poucas semanas.
A meningoencefalite também conhecida como toxoplasmose cérebro-espinhal, é uma forma clínica não muito freqüente em pacientes imunocompetentes e tem prognóstico sombrio.
A coriorretinite é a lesão mais frequentemente associada a toxoplasmose. Quando o Toxoplasma gondii atinge o olho, ele provoca uma lesão característica (patognomônica), essa lesão pode levar a perda parcial e mesmo total da visão se o diagnóstico e tratamento não forem realizados logo.
TOXOPLASMOSE EM PACIENTES IMUNOCOMPROMETIDOS
Os imunocomprometidos fazem parte de um grupo para o qual a infecção pelo Toxoplasma gondii é particularmente grave e muitas vezes fatal. Ela envolve o sistema nervoso central, o fígado, o coração, pode apresentar alterações cultâneas e pneumonia, ou seja, o indivíduo imunodeprimido pode apresentar todas as formas de infecção provocados pela toxoplasmose, só que com gravidade maior. Os parasitas libertos da ação imunológica que os cerceariam, invadem órgãos e tecidos.
TOXOPLASMOSE CONGÊNITA
Ocorre infecção fetal quando a mulher tem uma infecção aguda pouco antes da concepção, durante a gravidez ou em qualquer fase da gestação. Estudos demonstraram que a infecção e os danos fetais dependem da idade da gestação em que ocorre a infecção, e da capacidade de defesa dos anticorpos maternos.
Os danos fetais podem incluir a retinocoroidite (90%), calcificações cerebrais (69%), perturbações neurológicas (60%), hidrocefalia ou microcefalia (50%).
GRUPO DE RISCO
Síndromes de Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS);
Nas imunodepressões medicamentosas;
Nos transplantes;
Nas doenças debilitantes;
Nos imunologicamente imaturos como feto e recém –nascidos.
TRANSMISSÃO
O contágio se dá, predominantemente pela ingestão de oocistos eliminados pelas fezes de gatos ou de outros felídeos e que podem permanecer viáveis no solo por longo tempo, resistindo a variações de temperatura e à dissecação, o que torna provável a infecção por inalação de poeiras contaminadas. Ocorre também pelo consumo de alimentos de origem animal, especialmente de carnes cruas ou mal cozidas contendo cistos (bradizoítos ) do parasita. Quando digeridos liberam esporozoítos, forma móvel que penetra ativamente nas células do hospedeiro reproduzindo-se rapidamente, e disseminando-se por via hematogênica (pelo sangue), indo localizar-se depois nos mais variados órgãos e tecidos. A transmissão pode se dá pela contaminação com excreções e secreções como esperma, leite, urina, principalmente na fase aguda, transplante de órgãos de um doador soro-positivo para um receptor soro-negativo, menos comumente em acidentes laboratoriais. De maior importância clínica é a transmissão placentária, com infecção fetal.
COMO PREVENIR
Evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas. Todas as carnes devem ser submetidas a um aquecimento de no mínimo 65º C por um período de 4 ou 5 minutos, isso é suficiente para destruir os oocistos, que também não resistem nos produtos salgados ou preparados com nitratos.
Manter boa higiene e lavar as mãos após manipular carnes cruas, passar o hábito de lavar sempre as mãos às crianças quando elas brincarem em tanques de areia ou no solo, que eventualmente podem ter sido contaminados por gatos parasitados. Lavar as mãos também após pegar em gatos pois os oocistos podem estar aderidos aos pêlos.
Os gatos domésticos devem ser levados regularmente ao veterinário para ver se estão eliminando oocistos, caso o exame seja positivo, ele deve ser submetido a tratamento. Devem receber alimentos secos, enlatados ou fervidos e impedidos de caçarem ratos ou comerem carniça.
Evitar o contato com gatos vadios ou desconhecidos, e se o diagnóstico ou o tratamento não for possível, o animal deve ser encaminhado para outro lar, principalmente se na casa existir crianças, ou mulheres em perspectiva ou início de gestação.
As fezes dos gatos e o material de forração do local aonde ele dorme devem ser eliminados diariamente, antes que os oocistos tenham tempo para embrionar. Nunca deixar gestantes realizarem essas tarefas.
Os tanques de areia para a recreação das crianças devem ser cobertos quando não estão em uso, ou cercados para impedir o acesso de gatos, ou então tratá-los periodicamente com água fervente.
Exame e acompanhamento sorológico das gestantes, para a identificação e tratamento daquelas que estejam infectadas.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da Toxoplasmose é sorológico. Os laboratórios possuem diferentes métodos disponíveis para a detecção de anticorpos específicos no sangue.
Eventualmente o diagnóstico pode ser feito através de tomografias, onde é possível detectar cistos cerebrais), através das lesões oftalmológicas, que são patognomônicas (características da doença).
Existe ainda detecção de fragmentos do DNA do parasita em diferentes materiais biológicos, pelas técnicas de biologia molecular.