A SAMARITANA
Na Samaria,
enquanto os companheiros
foram suprir a
bolsa de alimentos,
Jesus, parou de
andar dias inteiros,
propôs-se repousar
alguns momentos.
Sentou-se o
Nazareno ao pé da fonte,
O sol brilhava em
raios refulgentes.
Havia ali um poço
ao pé do monte,
que Pai Jacob
legara aos descendentes.
Foi a mulher
samaritana ali,
para tirar da linfa
deliciosa.
Ao ver de pronto, o
vulto do Rabi,
ficou assim um
tanto receosa.
Pois quem seria o
tal desconhecido,
de tão sublime
olhar, tão lindo aspecto,
que ali estava a
cismar, tão recolhido,
assim tão
majestosamente quieto?
O Mestre ao vê-la,
deu-lhe a perceber
que tinha sede e
disse, em tom bondoso:
“¾ Mulher: se queres, dá-me de beber,
pois vai o dia
muito caloroso.”
Ela, mirou-o mais.
Depois, por fim,
um tanto embaraçada,
respondeu:
“¾ Pois como pedes de beber a mim?
Eu sou samaritana e
Tu judeu ...?
“¾ Se escutasses a voz mais interior
e julgasses de modo
mais profundo,
saberias que Eu sou
distribuidor,
da Água da Verdade
neste mundo.
E se tivesses visto
o dom de Deus
e fosse tua consciência
mais ativa,
saberias quem sou
entre os judeus,
e tu Me pedirias Água
Viva!”
“¾ Água Viva? ... Mas é tão fundo o poço,
que não podes
cumprir esse desejo ...
Se a não podes
tirar deste colosso,
onde tens, pois, a
água, que não vejo?
Maior que Pai
Jacob, és porventura?
Ele nos deu o poço
no passado
e todos tem bebido
com fartura,
o líquido que é
sempre renovado ...”
Mas disse-lhe
Jesus, todo bondade:
“¾ Quem bebe desta água, Eu te asseguro,
por mais que beba e
beba a saciedade,
terá contínua
sede no futuro.
Esta que Eu dou,
porém, é que sacia;
e não se tira de
qualquer cisterna.
Quem dela bebe, é
fonte que irradia,
emana a água para
a vida eterna.”
“¾
Senhor! ¾
disse a mulher ¾
dá que Tu dás
eu beberei agora
alegremente.
Assim, não terei
sede e terei paz
sem ter que vir
aqui constantemente.
“¾ Pois vai então chamar por teu marido,
¾
disse o Rabi ¾
e vem aqui depois.
Assim, não ficará
como esquecido,
e do que Eu der a
ti, darei aos dois.”
Marido? ... Mas ...
e um súbito rubor
roçou-lhe o rosto.
Mas, com certo empenho,
algo nervosa,
respondeu: “¾
Senhor!
Não poderei chamar
o que não tenho.”
E, sentenciou,
Jesus, profetizando:
“¾ Numa verdade pura Me disseste.
Não é teu quem
contigo está morando.
Maridos ... sei que
cinco já tiveste ...”
“¾ Senhor! Tu és profeta! Tu és profeta!
¾
Exclamou a mulher admirada ¾
pois como dás
sentença tão correta,
sobre coisa que eu
não Te disse nada?
Diz-me, então
alguma coisa mais:
onde adorar a Deus?
Aqui ou além?
Neste monte
conforme nossos pais,
ou lá na capital,
Jerusalém?”
¾
Ouve-me bem, mulher, ¾
disse o senhor ¾
Trago Comigo histórico
momento.
Os que procuram luz
e puro amor,
adorarão o Pai em
pensamento.
Deus é o espírito
da humanidade,
A mais pura e
perfeita adoração,
sejam feita em Espírito
e Verdade,
com um altar em
cada oração.
“¾ Espera-se o Messias, bem o sei.
¾
disse a mulher, buscando assunto novo. ¾
é o Cristo que há
de vir. E será Rei.
E tudo ensinará ao
nosso povo.”
“¾ Por hoje ¾
Ele lhe disse ¾
vou findar
De nada mais
precisas depois disto.
Procura neste
momento recordar.
Eu que falo contigo
... Sou o Cristo!
Livro:
Flores de Outono -Autor: Jesus Gonçalves