A vida fala – A conversão de
Paulo
A luz refletida ofuscava-lhe a visão
O clarão ambiente era sem igual
No chão Saulo, coração em turbilhão
Diante de si irradiava-se a revelação
As lembranças da vida angustiavam seu ser
Equivocado até então nos caminhos a percorrer
Adiante Damasco, já ao entardecer
E dentro do homem a ilusão começava a morrer
O Amigo presente revelara-se-lhe enfim
Fazendo-lhe possível a visão do espírito
Sorriso nos lábios, fartos de amor
Trazendo a mensagem da verdade sem cor
Pulsação alterada, parado no tempo
Em desalinho, prostrara-se o irmão
Centrado em si mesmo, reconhecia o senão
Voltando-se para o Cristo, como a pedir-Lhe perdão
O Mestre sublime pergunta-lhe então:
“Por que me persegues?”
E a figura extática, símbolo da desolação
Ouve angustiada a pergunta em repetição
Olhos marejados, um nó na garganta
A vida a lancear o profundo do Ser
Mira o Cristo bem dentro dos olhos
Sentindo o viço de um novo querer
O sentido vazio da vida levada
Fazia-se-lhe agora clara divagação
Pelos caminhos tortuosos de um mundo de dores
Nascia o sentido exato de sua real destinação
Vaso escolhido, espírito preparado
Embaciara sua luz e incidira em um desvão
Nas trilhas do Pai, não se fizera ainda bom filho
Mas buscaria, enfim, a vereda da redenção
Maduro o fruto, dor a cavaleiro
Sentia em si o vespeiro, apertando o ferrão
A dor o convidava a renovar sua vida
Reassumindo o compromisso da elevação
Responde ao Cristo o Saulo de antes
Travestido no Paulo, que se libertara da escravidão
Indaga, incisivo, sem meias palavras:
“O que queres que eu faça, Senhor da consolação?”
Consola-o Jesus com o aceno sereno
Do árduo trabalho a realizar
Consola-se Paulo, extirpando de si o veneno
Pois enfim reaprendera o dom de Amar!
DEUS, CRISTO E CARIDADE