Amar ao Próximo como a si mesmo...
Espírito
Victor Hugo
O
Cristianismo, fundamentado no conceito sublime do "amar ao próximo como a
si mesmo", abriu as primeiras portas da compaixão e da misericórdia aos
portadores de lepra, nos dias difíceis dos séculos passados. Proliferaram,
assim, os lazaretos,onde cada recém-chegado era considerado como "se fosse
o próprio Cristo que ali se hospedava", passando a receber a caridade da
assistência e o socorro do amor fraterno. Muito deve a Humanidade a esses
primeiros hospitais, se levarmos em consideração a época de ignorância e
promiscuidade, de imundície e indiferença humana, em que se multiplicaram.
*
Se
o passado é nossa sombra de dor, o futuro significa a nossa primavera de bênçãos,
conforme o presente ao nosso alcance. As trevas cedem ante a luz, e o sofrimento
desaparece em face à alegria da esperança e ao consolo da consciência em
tranqüilidade. Ninguém paga além do débito a que se vincula. O amor, porém,
é o permanente haver, em clima de compensação de todas as desgraças quer por
acaso hajamos semeado, recompensando-nos o espírito pelo que fizermos em nome
do bem e realizarmos em prol de nós mesmos.
*
Não
receies, nem temas, nunca! O pântano desprezível é desafio ao nosso esforço
para mudar-lhe o aspecto, e a aridez do deserto é incitação à nossa
capacidade de transformá-la em jardim de esperanças e em pomar de bênçãos...Imprescindível
começar agora a nossa obra de aprimoramento interior, enquanto surge a
oportunidade favorável. Amanhã, talvez seja tarde demais, e o minuto valioso já
se terá esvaído na ampulheta do tempo. Cada coração é nosso momento de
produzir. Cada sofrimento é a nossa quota de reparação. O adversário
significa o solo a trabalhar, esperando por nós, enquanto o amigo é dádiva de
que nos devemos utilizar com respeito e elevação.
De Divaldo P. Franco em "Sublime Expiação"