Vera Lúcia Marinzeck Fala de Mediunidade e de Seus Livros
A vida de Vera Lúcia Marinzeck mudou muito a partir do ano de 1975, quando, pela primeira vez, entrou numa casa espírita. Esse primeiro contato com o Espiritismo foi decisivo para que, algum tempo depois, encontrasse respostas para muitas de suas dúvidas. Encorajada por aqueles que a ampararam fraternalmente, determinou-se a estudar e desenvolver a mediunidade. Desde então, não parou mais de ler os livros de Allan Kardec e recomendar a todos que a procuram a leitura de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Nos raros encontros com os leitores, que acontecem geralmente em tardes de autógrafos promovidas em grandes livrarias – apresenta-se vestida com simplicidade, é carinhosa para com todos sem afetação, dispensa a mesma atenção a todos, sem fazer nenhuma distinção. Aqueles que a conhecem de perto e convivem com ela não se negam confirmar: “A Vera Lúcia é assim mesmo, sempre bem humorada, calma, não se apressa nem apressa ninguém”. Depois de muitos anos psicografando os romances do Espírito Antônio Carlos e de outras entidades, lançou seu primeiro livro. Esse livro “inspirado, mas não psicografado” é “Conforto Espiritual”, uma coletânea de sua coluna, publicada no jornal “Diário de S. Paulo” desde dezembro de 2003. Nesta entrevista, a médium relembra o passado, suas experiências mediúnicas e comenta a literatura dos espíritos.
Quando foi que você entendeu
melhor a mediunidade?
Desde criança posso ver os espíritos e
conversar com eles. Fui muito católica. Aos dezenove anos procurei
entender melhor outras religiões. Conversando com os seguidores de
várias crenças, finalmente compreendi que todas as religiões são
positivas, nos religando a Deus. Quando meu filho mais velho nasceu,
passamos por muitas dificuldades. Nessa época, nos convertemos ao
Espiritismo, por volta do ano de 1975. Estudando muito, desenvolvi a
vidência, a incorporação, ou psicofonia, e a psicografia, na qual
trabalho diariamente. Encontrei no Espiritismo respostas para todas
as minhas dúvidas sobre a mediunidade.
Explique melhor seu
trabalho de psicografia.
Psicografo há vinte e quatro anos,
compreendendo nove anos de treinamento mediúnico. Em parceria com o
espírito comunicante, transcrevo aquilo que estou escutando por
intermédio da mediunidade. Se for preciso, reescrevo o texto com um
acompanhamento espiritual, até que o resultado final seja o melhor
possível. Os livros psicografados são obra exclusiva dos espíritos.
Minha condição é apenas a de uma intermediária. Por orientação
espiritual, especializei-me na psicografia. As mensagens ou livros
que recebo são de autoria dos espíritos escritores. Não existe – nem
poderia haver – interferência da minha parte nesse trabalho. Se
méritos existem, devem ser atribuídos aos espíritos, não a mim, que
apenas transcrevo o que está sendo transmitido por eles. Não é um
trabalho cansativo porque procuro realizá-lo prazerosamente, com
todo o carinho que merece. É claro que exige paciência, persistência
e muita boa vontade. Hoje psicografo de duas a três horas e meia por
dia, mas já trabalhei até quatro horas nessa tarefa. Sou médium
consciente, participo dos trabalhos mediúnicos. Faço costumeiramente
minhas preces antes de iniciar minhas tarefas mediúnicas. Não sinto
nada de especial, nem antes nem depois das manifestações dos
espíritos. Todos os dias dedico parte do meu tempo à psicografia.
Assim, essa tarefa já se incorporou ao meu cotidiano. Só raramente
deixo de psicografar.
Qual o objetivo da literatura
mediúnica?
Nosso objetivo sempre foi levar, por intermédio do
livro espírita, orientação e consolo a todos, indistintamente.
Escritos em linguagem simples, facilitando sua compreensão, os
livros que psicografei atraem leitores de várias religiões. Esse
trabalho de divulgação do Espiritismo se iniciou depois de nove anos
de treino mediúnico. Finalmente, em 1990, finalizei um livro, e me
foi permitido divulgá-lo. Depois de ler o texto, a Antonina, uma
grande amiga minha, resolveu encaminhar a obra para a Petit Editora.
Logo em seguida, “Reconciliação”, um romance do Espírito Antônio
Carlos, era publicado. Isso aconteceu durante o ano de
1990.
Quem são os espíritos que escrevem por seu intermédio?
Você também escreve?
A Petit Editora lançou meu primeiro
livro não psicografado, “Conforto Espiritual”. Esse livro é uma
coletânea das respostas às cartas dos leitores do jornal Diário de
S.Paulo, publicadas todos os domingos de 2004. Comemorando um ano de
publicação da coluna, com o apoio de nossos amigos do jornal,
estamos lançando esse livro que trata de vários temas de interesse
geral – divórcio, doenças, aborto, infidelidade, reencarnação,
obsessão, assédio sexual, mortes prematuras etc. Procuro sempre
responder aos leitores à luz do Espiritismo e da minha própria
vivência mediúnica. Se as respostas não são dos espíritos, deles
sempre recebo inspiração – em especial do Espírito Antônio Carlos.
Quanto aos livros psicografados, são vários espíritos que se
comunicam por meu intermédio. Entre eles, destacam-se os trabalho
mediúnico de Antônio Carlos, Patrícia e Rosângela. Antônio Carlos
foi alguém com quem dividi minha vida no passado. Hoje, estamos
unidos por um grande compromisso: levar adiante a mensagem
renovadora do Espiritismo. Patrícia foi minha sobrinha. Retornou ao
mundo espiritual ainda bem jovem. Ao mudar-se para o mundo dos
espíritos, viveu uma experiência maravilhosa, descrita no seu livro
“Violetas na janela”, o qual tive a felicidade de
psicografar.
Na sua opinião, a que se deve o sucesso dos
livros espíritas?
A literatura espírita consola e orienta.
Nos dá a certeza da continuação da vida após a morte do corpo físico
e a compreensão da justiça divina. Entendemos, por meio do
Espiritismo, que Deus é infinitamente justo e bom, nos
proporcionando a reencarnação para o nosso crescimento moral e a
reparação de nossos erros. Não perdemos nossos afetos, muito ao
contrário, ampliamos nossa família espiritual nessa convivência, que
– a cada encarnação – torna-se melhor e mais fraterna...
Além
de “Violetas na Janela”, quais são seus outros livros?
O
livro “Violetas na janela” é considerado um best-seller
espírita, sua tiragem já ultrapassou 1,2 milhão de exemplares. Esse
sucesso, que me surpreende até os dias de hoje, se deve
exclusivamente a Patrícia, autora espiritual desse livro belíssimo
que já consolou e esclareceu milhares de pessoas que perderam entes
queridos ainda na flor da idade. Ao terminar um livro, logo em
seguida inicio a psicografia de outro. Pretendo continuar
trabalhando para a divulgação do Espiritismo, uma das grandes razões
da minha vida. Recentemente, lançamos “O Sonâmbulo” do Espírito
Antônio Carlos, um romance emocionante, que explica esse tipo de
fenômeno, à luz do Espiritismo. Eu mesma, durante a psicografia
desse livro, fui envolvida pelo clima de suspense e mistério que
transpira de suas páginas. Antes dele, “Flores de Maria”, do
Espírito Rosangela, também foi muito importante, pois relata a
passagem daqueles que perdem o corpo físico ainda na infância ou na
juventude, e o que encontram no mundo espiritual. “Morri! E agora?”,
de vários espíritos comunicantes, também foi uma experiência
gratificante. São vários espíritos que relatam sua passagem para o
mundo dos espíritos, seus dramas, dúvidas e incertezas. São
experiências diversas, que acrescentam muito ao nosso entendimento.
Pessoalmente, o livro me impressionou muito. Trata-se de um
verdadeiro aprendizado sobre o bem viver na Terra.
Em quanto
tempo você psicografa um livro?
De quatro a seis meses, dependendo do
livro, pois eles são reescritos no mínimo três vezes. Em média,
cerca de cinco meses. Trabalho assim porque a responsabilidade do
médium, perante a espiritualidade, é muito grande, o resultado final
deve ser o melhor possível.
Quais são seus livros
preferidos?
Meus livros favoritos são “O Evangelho
Segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec. “O
Livro dos Espíritos”, também de Allan Kardec, é um livro que estou
sempre relendo, o que recomendo a todos os médiuns.
Fonte: Site www.jornaldosespiritos.com.br