Um Espírito Suicida

"Venho a esta casa falar de minha experiência de vida e morte para cumprir com uma tarefa que a mim foi dada pelos instrutores da colônia onde resido ultimamente. Tive uma vida muito fácil. Jamais senti qualquer dificuldade, tanto em minha infância, quanto mocidade e maturidade.Casei-me cedo, atendendo conveniências sociais e logo percebi o erro, separando-me após certo tempo, pela imaturidade da relação.

Depois de minha separação, desencontrei-me completamente entregando-me à solidão, ao álcool e às drogas. Embora todos esses vícios fossem praticados em grupo dentro de um círculo de amigos da sociedade, sentia-me em falta comigo mesmo e algo em mim impulsionava-me para o esclarecimento, como se minha consciência permanecesse alerta por todo o tempo, a me dizer
das conseqüências futuras de meu procedimento.

Não atendi à voz que me falava ao coração e entreguei-me a uma vida de futilidades, tendo todas as mulheres que almejava, e todas as experiências desejadas por um homem. No entanto, vivia só, mergulhado em grande solidão. Nas noites insones aguardava e desejava ansiosamente que viesse o sono e com ele a morte. Porém tinha medo de cometer o ato desgraçado por pura covardia. Enviei pedido de socorro para muitos de meus amigos, mas eles também estavam na escuridão da ignorância e não compreendiam a razão da infelicidade. Uma noite, não busquei mais o auxílio entre eles, mas nos comprimidos que me deixaram em sono profundo por quase 24 horas para acordar deste lado da vida, completamente só e desesperado.

Digo, meus amigos, que o suicídio é forma equivocada de libertação. Aprisiona ainda muito mais e os tormentos experimentados são inigualáveis. Quisera ter eu a capacidade de falar aos meus amigos e familiares sobre a vida espiritual. Do quanto se pode ser feliz na Terra se forem realizados os compromissos assumidos consigo mesmo. Quisera ter eu a capacidade de ensinar aos meus irmãos e pais o quanto é necessário ser bom , útil e submisso à vontade de Deus.

Bendito sejam os que possuem o entendimento da verdade e não necessitam passar pelos campos do sofrimento na vida espiritual. Os que tiram a própria vida sofrem dores pungentes, embora nem todos tenham o mesmo destino. Por obra e graça de Deus eu fui socorrido em tempo curto para os padrões da vida verdadeira e pude refletir sobre meus erros e acertos. Fui atendido nesta casa e hoje fui trazido aqui para ouvir os ensinos do Evangelho e escrever sobre minha experiência. O irmão Mauro quer que eu termine a escrita, pois em outra oportunidade virei novamente trazer outras impressões. Que a graça de Deus cubra de bênçãos este trabalho." - Um suicida agradecido.

Um Espírito suicida
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec
São Luís, MA


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