Partes da carta Psicografada por Francisco Xavier, endereçada à família de Mauro Antônio Campos Paiva

Mauro Antônio Campos Paiva - Desencarnado aos 23 anos de idade em acidente de moto.

"Querida mãezinha e meu querido papai Mário. Rogo-lhe a bênção para o filho de volta. Nunca imaginei um reencontro assim qual este que os vejo sem que me vejam, como se fosse obrigado de minha parte a ocultar-me por traz de uma tela desconhecida.

Mas... sou eu mesmo, tentando escrever-lhes com o auxílio de meu avô Chico Honório . . ."

". . . Papai, a vida é repleta de surpresas. Aprendi desde cedo, uqe a pessoa deve estar preparada para qualquer acontecimento; no entanto, quando o carro estranho me atirou a moto para os ares, num relâmpago de tempo, imaginei mil assuntos..."

". . . Dor não senti. Creio que assombro nos acidentes que nos estragam a roupa física, com marcas irreversíveis, nos embota a sensibilidade. A ordem era aquietar-se e dormir sem querer. De nada mais me lembro senão do salto inesperado e compulsório. O despertar foi outro problema, por que não senti  dores no princípio, acordava num corpo em tudo semelhante àquele que perdera e sofria . . . "

"Aqui me dizem que os remanescentes da desencarnação divergem de pessoa para pessoa. O que sei é que supus hospitalizado em Brasília ou em Goiânia, e, somente quando minha avó Claudina se aproximou de mim com o Henrique Gregóris, o amigo que, ainda, me auxiliara intensivamente, é que entendi que me enquadrara em outros problemas.

Não preciso dizer que tenho gasto tempo, a fim de conformar-me, entretanto, foi o Henrique, amigo que se fez irmão, quem me informou que a revolta me impossibilitaria qualquer contato mais próximo com a família e, em razão disso, considerando o meu próprio interesse, procurei harmonizar-me com os fatos consumados.

Venho pedir-lhes paciência e serenidade. Afinal, tenho outros irmãos aí na terra, carentes de afeto e proteção, qual eu mesmo, e peço aos pais queridos me procurarem neles, especialmente naqueles que se sentem desligados da presença de pais e mães que perderam ou que se notam desemparados para a solução das necessidades mais simples.

Meu afeto a todos os nossos que continuam cada vez mais vivos dentro de mim e recebam queridos pais, tesouros de minha vida, o carinho total do filho que está aprendendo a pedir a Deus que nos abençõe e nos faça sempre a cada vez mais felizes..." 

Sempre o filho, muito grato, Mauro.

 

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