Atendimento
fraterno
Autora:
Vanda Simões
Aula 1:
Objetivos
Objetivos
O
Atendimento Fraterno na casa espírita é um trabalho estruturado de forma a
receber, em primeira mão, as criaturas necessitadas de ajuda que procuram na
Doutrina Espírita a solução ou alívio para problemas de toda ordem. Essas
pessoas, na maioria das vezes, já vêm de outras experiências no campo do auxílio
e procuram o Centro Espírita, como "último recurso" para seus males.
Muitas vezes céticos, esses indivíduos necessitam de boa dose de estímulo
para permanecerem firmes na decisão de encontrar respostas para suas perguntas.
O Atendimento Fraterno desempenha esse papel de recepção, esclarecimento básico,
amparo, reajuste e redirecionamento de idéias. Trata-se de uma atividade que
deve ser feita com seriedade, disciplina e preparo, pois às vezes, sendo esse o
primeiro contato que o assistido tem com o Espiritismo, vai obrigatoriamente
refletir a seriedade ou não do trabalho da casa.
Torna-se,
pois, necessário, que os centros espíritas que se propuserem a esse tipo de
trabalho assistencial tenham idéia da gravidade da tarefa que estão a
empreender, a fim de que não cometam erros desnecessários.
Papel
do Centro Espírita na sociedade
O
papel fundamental do Centro Espírita na sociedade é ajudar as pessoas no
processo de reequilíbrio, levando a mensagem moral de Jesus, à luz da Doutrina
Espírita, à vida daqueles que ainda se encontram sob o jugo da ignorância. O
Espiritismo, sendo o Consolador prometido pelo Mestre, deverá exercer um papel
de agente transformador das criaturas, reconduzindo-as ao equilíbrio, através
do esclarecimento. Cabe, portanto, à casa espírita, exercer influência na
mudança de comportamentos e atitudes dos que a procuram na ânsia de receber
ali a cura para seus males.
Imperativo,
pois, que o Centro Espírita disponha de mecanismos que possam melhor atender
essas pessoas, orientá-las e encaminhá-las para a área de atividades doutrinárias
que for mais conveniente. Esse tipo de serviço, prestado com o intuito de
receber, ouvir, orientar e encaminhar o paciente na casa de caridade, é o
Atendimento Fraterno.
Esquema
do Atendimento
Todo
trabalho prático precisaria ser fundamentado em estudo teórico prévio, com a
finalidade de conhecer aquilo que vai ser realizado. Nos centros espíritas esta
regra deveria ser observada com muito mais rigor, por razões óbvias, afinal
está em jogo o equilíbrio espiritual das pessoas que os procuram. Entretanto,
o empirismo ainda é a marca da improdutividade nas casas, por absoluta falta de
hábito para os estudos da doutrina que se professa. Enraizou-se entre nós o
costume de realizar as coisas sem planejamento, pois é regra geral que, para se
fazer o bem, basta certa dose de boa vontade. A experiência secular nos mostra
que não é bem assim. Se possuímos boa vontade, temos que aliá-la ao
conhecimento a à ação, pois ela sozinha para nada serve. No Atendimento
Fraterno é importante que se obedeça a um esquema mínimo de organização e
conhecimento, a fim de que trabalhemos com ordem e disciplina. A seguir,
falaremos de todos os itens relativos ao serviço de atendimento da casa espírita,
para que cada grupo interessado possa desenvolver seu próprio esquema de recepção
e assistência.
Recepção
e Triagem
Grande
parte das pessoas que adentram o Centro Espírita pela primeira vez, o fazem em
busca de algum tipo de auxílio. Poucas são as que vão para conhecer o
Espiritismo ou por curiosidade, ou ainda como visitantes. A casa espírita deve
dispor de meios para bem receber essas pessoas.
O
primeiro passo para iniciar o trabalho de Atendimento Fraterno, é determinar o
dia mais adequado e mais cômodo para se estabelecer o trabalho. Em nossa casa,
esse serviço funciona no dia da reunião pública, duas horas antes do início
dos trabalhos de explanação.
Em
dia, horário e local preestabelecidos, um ou dois trabalhadores bem educados e
treinados para a tarefa, receberão
as pessoas que chegam pela primeira vez, dando-lhes as informações necessárias
a cada caso. É necessário
presteza, simpatia e agilidade, além de grande discrição e seriedade. Neste
caso, a primeira impressão que a pessoa terá do trabalho será muito
importante. Pessoas sérias não retornarão a locais onde não transpirem
idoneidade e credibilidade.
A
triagem é feita nessa hora de conversa informal, onde o
"recepcionista" observará pela sua perspicácia, qual a necessidade
daquela criatura. Se for um caso que demande maiores cuidados, a pessoa será
encaminhada à Sala de Entrevistas para uma conversa mais reservada e posterior
direcionamento. Antes, porém, será preenchida uma ficha de dados, com informações
básicas sobre o paciente: nome, idade, endereço, profissão etc. Caso contrário,
ou seja, se a pessoa não estiver precisando de nenhum tipo de ajuda, ela será
encaminhada para os trabalhos públicos de explanação.
Se
ao Centro Espírita for de médio porte e dispuser de pessoal treinado, poderá
ter uma sala específica de triagem. Neste caso, a recepção apenas fará o seu
trabalho básico, ou seja, preencherá a ficha com os dados e encaminhará o
assistido para a sala de triagem que, então, direcionará a conduta do paciente
conforme a necessidade. Ao nosso ver, este é o modelo ideal, pois todas as
pessoas que vêm pela primeira vez à casa poderão ter um atendimento atencioso
e não apenas aqueles que se dispõem a procurar ajuda.
A
recepção deverá ser feita por pessoas que conheçam de perto o funcionamento
da casa a fim de evitar situações constrangedoras em relação às informações
desencontradas que possam prejudicar a credibilidade do trabalho. Nada mais
desagradável do que receber informações equivocadas sobre qualquer coisa,
mormente em um Centro Espírita.
Entrevista
Uma
vez detectada a necessidade de maiores cuidados por parte da pessoa, ele será
encaminhada à entrevista, que é uma conversa fraterna que se tem com o
assistido, para que se possa tirar dele as informações necessárias para
elucidação do caso e adequado auxílio. Importante que algumas perguntas sejam
direcionadas para evitar divagações e longos relatos. O entrevistador deve
conhecer técnicas de abordagem, a fim de não errar por excesso de zelo ou por
omissão dele.
Fim da 1º aula
Aula 2:
Local
das Entrevistas
3.3
- Local das entrevistas
O
local onde serão feitas as entrevistas deverá ser reservado. Não se pode
esquecer que vão ser tratados assuntos da intimidade das pessoas e que se deve
ter o maior respeito e discrição
possível, frente a tantos dramas. Uma pequena sala pode ser determinada para
tal fim, podendo ser aproveitada também para outras atividades, caso o Centro
Espírita tenha problema de espaço.
As
entrevistas realizadas em sistema aberto, ou seja, vários entrevistadores em
uma única sala, realizando o trabalho ao mesmo tempo, têm o grande
inconveniente de não oferecer ao assistido a privacidade tão necessária nessa
hora em que ele vai ali desnudar o seu problema. Entretanto, existem casas que o
fazem e dizem ter resultados satisfatórios.
3.4
- O entrevistador
A
entrevista é uma tarefa que requer condições especiais do trabalhador. Não
que tenha que ser uma pessoa isenta de erros, o que inviabilizaria o trabalho,
mas alguém com condições morais acima da média, que tenha um bom embasamento
doutrinário e maturidade suficientes para lidar com situações as mais
inusitadas.
Os
problemas que se apresentam são os mais variados, desde simples perturbações
espirituais até obsessões graves, passando por problemas de ordem emocional, física
e psíquica. A pessoa que ali está vê no entrevistador alguém que pode ajudá-lo
a resolver seus problemas. Coloca com confiança a situação que o levou a
buscar ajuda e têm expectativas em melhorar sua condição. É necessário,
portanto, que o entrevistador seja pessoa preparada para esse mister, com devido
treinamento nessa área, que tenha capacidade para compreender os problemas
humanos, assim como condições para estabelecer um diálogo aberto e franco com
o assistido.
Não
deve o entrevistador permitir que se forme em torno dele uma aura de importância
pessoal, com se ele fosse o grande responsável pelo sucesso dos trabalhos,
tampouco induzir os entrevistados na certeza da cura de seus problemas. Tudo
deve ser direcionado para deixar claro às pessoas que o trabalho é do Mestre
Jesus e que somos apenas seus tarefeiros. Deve explicar que a mudança de
atitudes é fundamental para a solução dos desajustes íntimos. Infundir
confiança na assistência espiritual recebida é a grande tarefa do
entrevistador.
Enfatizamos
a necessidade de se ter uma equipe mais ou menos fixa de entrevistadores,
treinada nessa área, e que se evite os chamados "rodízios" nessa
tarefa, pois entendemos que infelizmente existem poucas pessoas com condições
de lidar com problemas humanos. Além do que, essa é tarefa de grande
responsabilidade que carece de muita dedicação e devotamento para se ter um
resultado satisfatório.
3.5
- O entrevistado
O
entrevistado tem como sua principal característica, o fato de estar
necessitando de algum tipo de ajuda. É importante que o entrevistador esteja
preparado para atender as variações de problemas que serão apresentados na
entrevista. A cada um, deverá ser dada uma orientação diferenciada, de acordo
com as necessidades do caso.
O
entrevistador que não possuir perspicácia poderá acabar sendo conduzido pelo
entrevistado; em outras situações poderá ser induzido a este ou aquele
procedimento, a dar essa ou aquela opinião. Convém estarmos alertas para as
diferentes personalidades, com seus diversos problemas. Dentre o grande número
de tipos de pacientes, citaremos alguns a título de exemplo:
O
desesperado
A
pessoa que procura o centro em estado de desespero, tem que ser acudido a
qualquer momento. Em primeiro lugar, procura-se acalmá-la envolvendo-a em
palavras de conforto, transmitindo-lhe confiança e carinho. Na maioria das
vezes está sem condições para ouvir instruções mais objetivas, portanto o
melhor será encaminhá-la ao passe, para num segundo momento entrar com as
conversas instrutivas e de orientação.
O
desespero pode ser oriundo das mais diversas causas, mas todo o fundamento dele
se baseia na falta de fé e confiança no futuro. A pessoa se desespera porque não
vê saída para seu problema. O sentido de perda lhe traz a sensação de que
tudo está acabado. Através da segura orientação da Doutrina Espírita, temos
que incutir lentamente no indivíduo a confiança em Deus e em Sua justiça,
tirando-o do desespero. Com o tempo e o auxílio dos amigos espirituais, o
paciente reencontrará o equilíbrio.
O desanimado
Normalmente
um paciente é desanimado porque sua vida está sem sentido. Ele não tem ânimo
para o trabalho e na maioria das vezes se isola do convívio social e familiar.
Frequentemente tem depressão profunda e pensamentos que se relacionam com a
morte. É necessário ter muita cautela com a orientação doutrinária e ter
sempre o cuidado de encaminhar o caso também ao médico terreno para que seja
avaliada a necessidade do uso de medicações, por possíveis enfermidades físicas
que possam estar instaladas no organismo.
Se
possível, envolver a família na orientação, mostrando os riscos que corre o
doente de enveredar-se pelo caminho do desequilíbrio. Explicar, através do diálogo
fraterno e convincente, a necessidade de sua moralização, pela prática da
religiosidade, da moral e organização da própria vida.
O
descrente
É
aquele que inicia sua conversa já dizendo que foi trazido por sua família ou
amigos, mas que não acredita em nada etc. Na maioria das vezes quer ser
convencido de alguma coisa ou espera que seus problemas sejam resolvidos por
outros. Tenta fazer parecer que não está muito interessado na ajuda oferecida
pelo centro espírita. Nestes casos, deixar claro que ele só será auxiliado se
quiser e que terá que se esforçar para isso. Evitar atitudes paternalistas com
o paciente. Muitas vezes a ação mais enérgica do entrevistador faz com que o
indivíduo mude sua postura perante a vida. Mostrar as desvantagens da descrença
e os benefícios que poderia ter, revertendo esse quadro.
O
fanático
Esse
tipo de personagem é muito encontrado entre espíritas que supõem resolver
seus problemas com a ação dos Espíritos superiores, sem se esforçarem para
vencer as dificuldades. Geralmente não aceitam interferências de terceiros em
suas convicções e nos casos de doenças orgânicas chegam a desprezar o
tratamento da medicina terrena. Acham que, por trabalharem no centro espírita,
os irmãos espirituais estão a postos para ajudá-los a resolver seus
problemas. É muito delicada a
abordagem desse tipo de personalidade, pois trata-se na verdade de pessoas
equivocadas quanto ao papel do Espiritismo na vida do homem.
Procurar
orientar no sentido da compreensão das verdades divinas, retirando-o da faixa
de fanatismo em que se encontra. Se houver condições psíquicas adequadas,
mostrar racionalmente ao paciente seu equívoco de posicionamento. O exagero em
qualquer setor da vida produz sofrimentos. Trabalhar para retirá-lo desse
estado, com orientações através de entrevistas e palestras.
O
"espírita"
São
pessoas que se dizem "espíritas" porque tiveram contato com terreiros
de Umbanda, Candomblé e mesmo com o Espiritismo. Querem ler muitas obras
psicografadas (ou dizem que já o fizeram) e vão logo afirmando que gostariam
de trabalhar na casa. Procuram auxílio por não estarem bem, mas na maioria das
vezes, já dizem o que acham necessário para a solução de seus males. Isso
torna bem difícil uma orientação mais efetiva. Na medida do possível,
conscientizá-lo sobre a responsabilidade de ser espírita e demonstrar que a
possibilidade de trabalho será definida mais tarde. Primeiro é necessário
buscar um estado mínimo de equilíbrio espiritual.
O
médium
Este
tipo de assistido já vem com o diagnóstico de sua "mediunidade".
Acha que a mediunidade é a causa de sua perturbação. Verificar, através da
própria entrevista, onde exerce (ou exerceu) seu trabalho de intercâmbio; se
num terreiro ou num centro espírita. A atividade mediúnica inadequada pode
gerar perturbações no psiquismo das pessoas. Além do mais, dependendo de onde
estava "trabalhando", o paciente pode estar sendo vítima de processo
obsessivo oriundo de contaminação. Orientá-lo no sentido de que seu dom será
reavaliado mais tarde, depois do tratamento. Jamais prometer que ele vai
trabalhar como médium na casa, pois muitas vezes a pessoa vem à entrevista com
essa intenção. Nunca encaminhar o paciente para sessões práticas de
Espiritismo, antes de submetê-lo a tratamento, mesmo que o paciente já tenha
tido orientação kardequiana.
O
que perdeu ente querido
Geralmente
procuram o centro inconformados pela perda de alguém da família, com o
objetivo de conseguir notícias do ente querido. Confortá-lo com a ajuda das
ferramentas da Doutrina Espírita. Pode-se anotar o nome do desencarnado para
fazer preces por ele ou verificar na sessão prática com está sua situação,
se houver necessidade. Nunca prometer mensagens mediúnicas. Isso gera uma
expectativa na família e nem sempre tal coisa é possível. As conversas em
torno da imortalidade da alma trazem grande conforto espiritual, bem como a
sugestão da leitura de livros adequados para o caso. O convívio na casa, no
contato com a Doutrina Espírita, com o tempo fará a pessoa compreender mais e
sofrer menos.
O
que quer resolver problemas dos outros
Geralmente
são pais aflitos ou cônjuges tentando fazer qualquer coisa para salvar
determinada situação de desequilíbrio instalada em suas vidas. Não raro
querem se submeter a tratamento no lugar do necessitado, na desesperada
tentativa de ajudá-lo, pois de maneira geral são pessoas refratárias a
procurar ajuda. O entrevistador deve esclarecer como se dá o auxílio espírita
e a necessidade da presença do doente na casa. Deve pedir que façam o possível
para trazê-lo no centro espírita. Oferecer ajuda indireta através do livro de
pedidos de amparo. Em casos graves, pode-se anotar nome e endereço do
necessitado, para ser levado às sessões práticas.
O
"sábio"
Aquele
que busca auxílio na casa espírita, mas acha-se muito sábio, culto e
inteligente e não se sente à vontade submetendo-se à orientação de alguém
que ele julga ser inferior a ele. Através da conversa, quer mostrar-se superior
e se o entrevistador não for suficientemente experiente, ele pode monopolizar o
diálogo, tornando infrutífero o trabalho de esclarecimento. Agir com tato,
demonstrando que todos temos muito a aprender na escola da vida. Nos casos em
que o entrevistado demonstrar que quer "duelar" no campo das idéias,
deve-se ter a sutileza de desviar seu intento, fazendo-o ver que aquele não é
o momento e o local apropriado para disputas. Jamais esquecer que se está
diante de pessoa em desequilíbrio. Mostrar que a casa espírita e o
Espiritismo estão ali para ajudá-lo, se tiver humildade para se colocar como
necessitado da alma.
O
pessimista
O
pessimismo é uma atitude mental inadequada que gera uma energia negativa na
mente da pessoa, prejudicando todas as atividades na vida. Tratar com o
pessimista é muito difícil, pois ele se coloca a todo momento como fracassado
e descrente de possíveis melhorias. Geralmente são indivíduos que portam
auto-obsessões e não raro frequentam casas espíritas a vida inteira.
O
pessimista pode necessitar de
psicoterapia e têm-se que estar atentos a esse fato, para encaminhá-lo a
profissionais da área, se for necessário. Com o estabelecimento da ajuda
espiritual, sua atitude mental poderá se modificar, facilitando a compreensão
das instruções a ele oferecidas através das palestras e conversas periódicas
na sala de entrevistas.
O
portador de doença orgânica
Normalmente
a pessoa que procura a casa espírita com problema orgânico, pensa encontrar
ali a cura de sua doença, pois acha que vai ser "operado" etc. É bom
que seja informado que a etiologia das doenças podem ser de ordem externa e
interna. Externas são aquelas provenientes do meio onde vivemos e circunstâncias
da própria matéria que constitui nosso organismo. Internas, quando são
oriundas do corpo espiritual e constituem-se em consequências de condutas e
posicionamentos inadequados de outras encarnações. É importante certificar-se
se o paciente está em assistência médica e jamais se deve suspender o uso de
medicamentos. Encaminhar para tratamento adequado na casa espírita.
O
portador de doença grave
São
pessoas que vêm à casa espírita, normalmente trazidas por seus familiares, em
estado de desespero por portarem doenças graves e às vezes crônicas. Essas
pessoas vêm com grande esperança de serem curadas. É importante não prometer
curas milagrosas, mas a ajuda que a Doutrina Espírita traz é fundamental para
a superação da prova a que o paciente está submetido. A fluidoterapia e a
orientação sobre a origem dos males ajudará o enfermo no processo de
conscientização e até, quem sabe, da cura propriamente dita. Prescrever
assistência espiritual e deixar claro que o tratamento espírita é um auxiliar
da medicina terrena.
O esquizofrênico
A
esquizofrenia é uma enfermidade mental semelhante à obsessão espirítica e
pode ser classificada como auto-obsessão. Os pacientes portadores dessa
anomalia mental escutam vozes constantemente e têm mania de perseguição.
Julgam-se saudáveis e na maioria das vezes resistem ao tratamento médico ou
espírita. Nos casos em que o enfermo aceitar, ele poderá ser encaminhado ao
tratamento convencional de desobsessão. O entrevistador não deverá considerar
as manifestações do psiquismo doentio desses pacientes, como sendo informações
consistentes para suas investigações. Geralmente os esquizofrênicos são Espíritos
muito endividados com o passado, que estão em encarnações de grave expiação.
A terapia espírita deverá estar associada ao tratamento psiquiátrico.
Fim da 2º aula
Aula 3
3.6
- Fichas de informações
Esta
ficha, devidamente preenchida com os dados de identificação na recepção,
estará agora nas mãos do entrevistador para que se procedam as anotações
inerentes ao caso. As informações
mais pertinentes deverão ser ali anotadas, pois servirão para estabelecer uma
linha de ação, assim como serão necessárias para o devido acompanhamento de
cada caso. Todas as informações são absolutamente confidenciais e esta ficha
será arquivada em local apropriado. Terá acesso a ela somente aqueles que estão
envolvidos com essa tarefa. Evidentemente será utilizada em possíveis
retornos.
3.7
- Carteira de controle
Da
mesma maneira que as fichas, as carteirinhas de controle são necessárias para
um acompanhamento mais efetivo do tratamento realizado com os pacientes. Ali serão
anotadas as datas dos passes ministrados, por pessoa encarregada pela organização
desse procedimento, bem como a data do retorno do mesmo à Sala de Entrevistas
para a avaliação final. É uma boa maneira também de se aferir faltas ou
abandonos de tratamentos.
Existem
algumas resistências ao uso de "carteiras de tratamento" e as críticas
baseiam-se no fato de se estar burocratizando o atendimento. Os bons resultados
dos trabalhos com esse método, no entanto, nos anima a continuar nessa linha de
ação.
4.0
- Exame espiritual
Este
item, apesar de importante, só será possível de ser efetuado em caso de
equipes bem treinadas e já com experiência no campo da mediunidade. O
assistido poderá ser submetido a investigação espiritual, com médiuns
seguros e maduros na tarefa, que darão informações sobre aquele caso,
anotadas em sua ficha. O ideal seria que esses médiuns não fossem informados
da situação do paciente para que não sofram nenhuma espécie de indução. As
informações obtidas aqui serão depois confrontadas pelo entrevistador.
Importante
salientar que essas informações devem ser consideradas como auxiliares no
diagnóstico final da problemática do paciente. Se houver grande incoerência
entre os dados vindos dos médiuns e os que o entrevistador colheu na conversa,
este exame deverá ser desconsiderado. Sempre lembrar que devemos ter muita
cautela com as informações vindas do plano espiritual.
Podemos
trabalhar com 03 (três) tipos de investigação espiritual: psicofonia,
psicografia e vidência. Todas, entretanto, devem ser bem trabalhadas e tratadas
com muito cuidado, para que os resultados sejam satisfatórios.
5.0
- Terapêutica
Como
toda enfermidade física ou psíquica, o tratamento das obsessões e dos
desajustes psíquicos necessita do uso de medicamentos
precisos. Só que no caso dos centros espíritas, a terapêutica utilizada
baseia-se na orientação ao enfermo, na fluidoterapia, na desobsessão, nos
cuidados médicos, na ocupação ao assistido etc.
5.1
- Orientação ao enfermo
Neste
tipo de assistência, a orientação adequada ao enfermo é parte importante
para o sucesso de sua recuperação. Uma orientação mal conduzida poderá
trazer mais prejuízos que benefícios. Daí a importância do entrevistador ter
conhecimento doutrinário e experiência no trato com as pessoas.
O
assistido, após conversa de aconselhamento, poderá ser muito auxiliado nas
explanações públicas do Evangelho de Jesus, com leituras de obras espíritas
(caso tenha condições psíquicas para isso), reajustamento de hábitos, avaliação
de sua conduta etc. Por esta razão é de muita importância que a casa tenha um
trabalho de explanação bem estruturado, com palestras bem conduzidas dentro de
uma linha que induza à reflexão e, conseqüentemente, à edificação. Será
neste trabalho que a maioria dos casos simples serão tratados, sem que sejam
necessárias intervenções mais ostensivas, como a utilização das atividades
mediúnicas da casa, para evocações e doutrinação de Espíritos. Necessário,
pois, cuidar bem dessa parte do trabalho.
É
importante que se tenha muita cautela com as instruções dadas, pois via de
regra, lida-se com pessoas problemáticas no campo do entendimento e qualquer
informação mal conduzida poderá ser interpretada sob a ótica deturpada da
pessoa em tratamento.
A orientação deverá ser avaliada ou reforçada periodicamente, nos retornos marcados na carteirinha.
Fim
da aula 3