NÃO HÁ
EFEITO SEM CAUSA E DEUS É A CAUSA PRIMORDIAL DO UNIVERSO
Deus é uma coisa palpável não por Ele mesmo, mas através
de Sua criação, do mesmo modo que átomos não são “coisas” em sua forma atômica,
mas um grande número deles colocados juntos repentinamente se torna visível e
objeto reconhecível. No século XIX Kardec indagou dos Espíritos, “Onde se pode encontrar a prova da existência
de Deus?” A resposta
chega de forma simples e objetiva, com a profundidade característica dos
Espíritos superiores: “Num axioma que
aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo
o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”·[1]
Portanto, o conhecimento dos pensadores não pode encontrar outra conclusão,
senão a de que Deus existe e é a inteligência suprema do Universo.
A Doutrina Espírita rejeita a fé cega, defendendo, com
argumentos, a fé raciocinada, conduzindo as pessoas a não acreditarem,
simplesmente por acreditar, mas a saber porque acreditam em algo. E a principal
delas é defender a prova da existência de Deus.
Tanto foi o cuidado de não personificá-lo que a primeira
pergunta de Kardec endereçou aos Espíritos foi com a expressão "Que é
Deus?” Em substituição à clássica e antropomórfica indagação: “Quem é Deus?”
Ante a majestática obra do Criador, o Espírito Emmanuel
explica que o homem “observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico [Terra]
em que se desenvolve. Descobre que o Sol tem um volume de 1.300.000 vezes
maior; a Lua dista mais de 380.000 quilômetros; Marte, distante de nós cerca de
56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação, Capela é 5.800
vezes maior, Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol”.[2]
O Sistema Solar possui apenas 9 planetas com 57 satélites no total de 68 corpos
celestes. E para que tenhamos noção de sua insignificância diante do restante
do Universo, nosso Sistema Solar compõe um minúsculo espaço da pequena
da Via Láctea”[3] ou seja, um
aglomerado de cerca de 100 bilhões de estrelas, com pelo menos cem milhões de
planetas e, segundo Carl Seagan, no mínimo cem mil deles com vida inteligente e
mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. [4]
Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus, é o livro publicado pelo cientista Willem B. Drees, Doutor em Física
Teórica e Matemática pela Universidade Utrecht e em Teologia pela Universidade
de Gröningen (Holanda), que procura demonstrar sobre a existência de um
interesse crescente pela investigação científica baseada na certeza da
existência de Deus. A teoria mais moderna do início do
Universo nos remete não apenas para o Big Bang (a grande explosão)
princípio de tudo, mas, para a idéia de vários big bangs, com Universos
cíclicos através de quatrilhões de anos.
Diante destes números pensaríamos
haver chegado na idéia do que é o Universo; ledo engano, pois estas áreas, ou
melhor, volumes, representariam apenas 3% do que seria a totalidade de tudo
dentro do tridimensional e espaço/tempo como conhecemos. Os espaços
interplanetários, interestrelares e intergalácticos, obviamente, formariam a
maior parte daquilo que chamamos de Universo.”[5]
O
grande desafio da astrofísica, atualmente é a chamada energia escura e as
lentes do telescópio espacial Hubble flagraram o comportamento dessa energia um
dos maiores enigmas cósmicos. “Ao observar supernovas, que são explosões de
estrelas, o telescópio registrou o efeito da aceleração da luz. A descoberta
deve ajudar a explicar o que é a energia escura que cobre quase todo o cosmos, uma força que pode ser responsável
pela contínua e acelerada expansão do Universo, também chamada de partícula
Deus”.[6]
A nossa compreensão de Deus muda na mesma proporção em que
a nossa percepção sobre a vida se amplia. É uma tarefa difícil, quando o
limitado tenta alcançar o Ilimitado, ou o finito entender o Infinito. Assim
somos nós diante de Deus. As opiniões científicas ainda estão divididas quanto
à origem do universo, mas há unanimidade num ponto, existe ordem no universo.
Todos fomos criados por Deus para a glória celeste,
caminhando pelos proscênios terrestres, onde desenvolvemos potencialidades
interiores que nos são herança divina esculpidas. “A dedução que se pode tirar da certeza inata que todos os homens
trazem em si, da existência de Deus, é a de que Ele existe; pois, donde lhes
viria esse sentimento, se não tivesse uma base?” [7]
E “Sendo Deus a essência divina por
excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de
desmaterialização o podem perceber”. [8]
Assinalamos aqui uma pequena digressão: é interessante
notar que geralmente, nós imaginamos Deus como alguma coisa absolutamente
externa. Pensamos em Deus como um ser ou algo separado de nós, advindo muitos
conflitos. Ora! Se o Todo-Poderoso também está dentro de nós, podemos mudar por
nossa própria vontade. Mas se acreditamos que o Pai celestial está
exclusivamente do lado externo, então supomos que só Ele pode nos mudar e não
nos transformamos pela nossa própria vontade. Achamo-nos então, constantemente,
em presença da Divindade; nenhumas das nossas ações lhe podem subtrair ao
olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento,
havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do
nosso coração.
Albert
Einstein, físico alemão de origem
judaica que dispensa apresentações “quando, em 1921, perguntado pelo rabino
H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus
de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não
no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”[9].
Nesta mesma ocasião, muitos líderes religiosos diziam que a teoria da
relatividade “encobre com um manto o horrível fantasma do ateísmo, e
obscurece especulações, produzindo uma dúvida universal sobre Deus e sua
criação”.[10] Tese que discordamos integralmente , pois Einstein confessou a um assistente que
no fundo, seu único interesse era descobrir se no instante da criação Deus teve escolha de fazer um universo
diferente e, caso tenha tido opção, por que é que decidiu criar esse universo
singular que conhecemos e não outro qualquer? Dizia ainda, “Minha religião consiste em humilde
admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes
que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos. Essa convicção,
profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se
revela no incompreensível universo, é a idéias que faço de Deus”.[11]
Da megaestrutura dos astros
à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente
de Deus. O físico americano Paul Davies
no seu livro intitulado Deus e a Nova
Física afirma categoricamente que o universo foi desenhado por uma
consciência cósmica.[12]
O Universo, portanto, constituídos por esses milhões de sóis, regido por leis
universais, imutáveis, completas, às quais acham-se sujeitas todas as
criaturas, é a exteriorização do Pensamento Divino.
[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Questão 4
[2] XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Ditada pelo Espírito Emmanuel. Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Cap 1.
[3] As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões.
[4] Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis.
[5] Que é Deus? Paulo Roberto Martins: Artigo publicado no Jornal Espírita de Pernambuco-Julho/2000
[6] Revista ISTOÉ/1775 - 08 de Outubro de 2003 - página 100
[7]Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2004, item 5
[8] Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.
[9] Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.
[10] Citado em Idem, ibidem, pp 304-305.
[11] Einstein Albert. Extraído do livro “As mais belas orações de todos os tempos”.
[12] Davies, Paul. Deus e a Nova Física, Lisboa: Edições 70, 1986, p. 157.