Um Desafio por Amor
Quando pensamos em drogas, alguma coisa negativa vibra em nossa proximidade. Ao imaginarmos algo de ruim, enfadonho, tenso, grosseiro, triste, destrutivo, pressuposto de suicídio, logo lembramos que às drogas são seus sinônimos. O ingresso no mundo das drogas é algo extremamente arriscado, seria como cair em um poço. No começo consegue-se escalar suas paredes, vindo à tona. Conforme se vai aprofundando, a luz vai se tornando mais tênue, sua parede mais lodosa dificultando a escalada, até um momento em que não é mais possível retornar a superfície. Pelo menos não mais nesta vida.
É freqüente vermos especialistas no assunto, destacarem os efeitos
"bons", "estimulantes", "desinibidores", causados
pelas substâncias entorpecentes. Chamam a atenção sim para as ações deletérias
que as mesmas causam, porém, o que acaba se tornando marcante são estes
efeitos "positivos" que elas causam. Ora, não devemos esquecer que
estes efeitos, são efêmeros, voláteis, passageiros, e quanto mais utilizados
mais escorregadias ficam as paredes daquele poço.
Quando um jovem ouve que o álcool "desinibe", que a cocaína, o
ecstazy "agitam", que a maconha leva a "reflexão", que o
LSD causa uma "boa viajem", pensa que isto pode não ser tão mal,
despertando o seu interesse. Com o mesmo desperto, basta um deslize emocional, a
busca de auto afirmação, rebeldia contra os pais e a sociedade, para que o
mesmo vá de encontro ao primeiro contato.
A maioria de nós isenta-se de culpa; "se não uso; se não sou viciado, não
tenho nada com isso". Ledo engano, o poder da droga nos cerca, alicia
nossos vizinhos e por que não nossos filhos? Há poucos anos associávamos o
uso de determinadas drogas ao "sucesso" e a "jovialidade".
Acabaram-se as propagandas de cigarros, mas ainda vemos anúncios de bebidas,
destacando sol, praia e pessoas bonitas.
Nossa responsabilidade é grande. Não bastando simplesmente criticar ou apontar
criminosos, quem de nós tem o direito de atirar a primeira pedra? A informação
de que às drogas são prejudiciais à saúde e levam a morte, não tem sido
suficientes para ao menos amenizar o quadro dramático que se instalou. O que
falta, sem a menor dúvida é abordarmos o problema antes que ele ocorra,
trabalhando aonde o tráfico ainda não chegou.
Crianças entendem que as drogas representam algo ruim, incomodam-se quando os
pais fumam e bebem. Afligem-se com a possibilidade da morte, da doença naqueles
que amam. Porém, os pais muitas vezes não percebem esta angustia. Quantas
vezes não vemos pais oferecendo bebidas alcoólicas, pedido, para que seus
filhos acendam cigarros e pior presenciem o consumo de outras drogas. Muitas
vezes com a justificativa, de os tornarem "homens". Quando isto ocorre
tornam-se vulneráveis, principalmente em lares desestruturados, sem diálogo,
sem a presença efetiva dos pais, sem o reconhecimento da própria existência
diante da fé e da imortalidade.
Nos extremos sociais encontram-se às maiores vítimas, os que têm
"tudo", e aqueles que não têm "nada". Desta forma buscam
aquilo que "não têm"; nas drogas. Tornam-se assim viciados por
crerem encontrar algo que não tinham. Desta forma o processo degenerativo, físico,
moral e espiritual inicia-se. Os toxicômanos inveterados, não têm afetado
somente o seu corpo físico, sobretudo seu corpo espiritual, ocasionando assim sérias
dificuldades futuras. O tratamento não deve visar somente o corpo e a mente, o
espírito deve igualmente ser tratado.
Ao nos aproximarmos deste tema, muitas vezes somos desencorajados, sentimos
medo, receio de sermos feridos, mas não podemos esquecer que estes são nossos
irmãos, enfrentando o verdadeiro inferno. Não podemos e não devemos legá-los
à mercê da própria sorte ou ao seu livre arbítrio. O Rabi da Galiléia nos
ensinou que o amor, e somente o amor pode curar todas às feridas. Como podemos
buscar a evolução se vemos àqueles que amamos perdidos nestes poços escuros.
Assim confiantes no mais alto, devemos entregarmo-nos a este trabalho, com amor,
por amor, oferecendo a corda mais longa para o poço mais fundo.
Jefferson Kleber Forti
Belo Horizonte