Antônio Luiz Saião
Foi
a 31 de Março de 1903, à mesma hora em que a Federação Espírita
Brasileira comemorava a desencarnação de Allan Kardec, que
Saião docemente se despiu das prisões da carne, passando
desta vida para a outra, onde se juntou à coorte luminosa dos
amigos que o precederam, entre eles Bittencourt Sampaio,
Bezerra de Menezes, Isabel Maria Sampaio, Manuel dos Santos
Silva e outros que com ele formaram o primitivo Grupo dos
Humildes (depois Grupo Ismael), então sob a sua direção.
Sua vida de espírita foi um exemplo de modéstia, humildade,
abnegação e sobretudo de fé cristã. Portou-se
verdadeiramente como servo do Senhor, aproveitando todas as
ocasiões para aconselhar e esclarecer tanto a encarnados como
a desencarnados.
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1829, filho de
Francisco Luís Saião. «Talentoso e aplicado», conforme a
ele se refere o muito ilustre Dr. J. L. de Al-meida Nogueira
(in «A Academia de S. Paulo - Tradi-ções e Reminiscências
- Estudantes, Estudantões, Estudantadas», S. Paulo, 1909),
Antônio Saião diplomou-se em Ciências Jurídicas na capital
de S.Paulo. Retor-nando ao Rio, exerceu a advocacia por muitos
anos. Conservou, depois, seu escritório à Praça da
Constitui-ção (atual Pça. Tiradentes) n9 46, embora não
mais advogasse.
COMO SE TORNOU ESPÍRITA
Damos a seguir, pela própria pena de Saião, a narração que
ele fez sobre a sua conversão ao Espiri-tismo, e que foi
publicada em Reformador de Junho de 1891:
Meu caro irmão:
Vós me pedistes e eu vos prometi a narração de qualquer
fato escrupulosamente verdadeiro que se te-nha dado comigo,
para que o meu testemunho sirva de garantia à verdade da
Doutrina Espírita, para con-vencer os incrédulos por ignorância
ou por sistema.
De que servem tais esforços, principalmente para os últimos?
Entretanto, para dar-vos uma prova da minha obe-diência, vou,
sem a mínima pretensão de escritor e ao correr da pena,
narrar-vos o que se deu comigo, só me preocupando com ser
fiel à verdade.
Corria o ano de 1878, para mim triste, cheio de aflições e
amarguras, que só me dava lenitivo o ver-ter das lágrimas.
Eu não cessava de implorar a mise-ricórdia divina, crença
que ao despertar da razão achei implantada em meu ser.
Ao mesmo tempo, aprontava-me para, logo depois do dia fatal,
que esperava, retirar-me para a Europa com meu filho, então
de treze anos de idade, em busca de resignação.
Os sofrimentos de minha mulher, que, mais ou me-nos, datavam
de seis anos, haviam-se agravado ao ponto de seu médico
assistente afirmar-me que o termo fa-tal se aproximava - Igual
juízo e prognóstico fez o meu íntimo amigo Dr. Geraldo
Motta.
Imagine-se o estado de meu pobre espírito, pas-sando noites
inteiras a velar à cabeceira da mulher a quem idolatro, cheio
de apreensões - No dia 11 de Setembro daquele mesmo ano em
que, exausto de for-ças, transido de amarguras, procurava
respirar o ar da manhã na Praça da Constituição,
encontrei-me com o Sr. Cândido de Mendonça, empregado no
Foro, que, penalizado de me ver chorando, aconselhou-me que
procurasse um meu colega, que, na travessa do Ouvi-dor,
oferecia remédios homeopáticos para as moléstias
consideradas incuráveis, com resultados espantosos.
Agradecendo-lhe a parte que tomava na minha dor, respondi-lhe
que não podia submeter minha mulher ao tratamento de uni
homem distinto, é verdade, como o conhecia, porém estranho
completamente à ciência mé-dica, quando eu tinha os
recursos que me podiam ofe-recer as notabilidades que já a
tinham desenganado.O Sr - Cândido de Mendonça, como um
enviado da Providência, insistiu com um interesse que me
surpre-endeu, dizendo-me afinal que, se nos casos
desespera-dos e desenganados pelos homens da ciência, era
des-culpável darmos os remédios de um sertanejo igno-rante,
quanto mais tratando-se de um homem conheci-do, notável e já
afamado por curas em casos idênti-cos; pedindo-me que pelo
menos me certificasse dessa verdade para justificação do que
me referia.
Pois bem, no dia seguinte (12 de Setembro de 1878), às onze
horas da manhã, compareci à travessa do Ouvidor, onde
encontrei aquele colega e mais alguns que o ajudavam, havendo
grande número de pessoas, umas recebendo remédios, outros à
espera de sua vez, todos alegres e contentes, referindo os
milagres das apli-cações que fazia com caridade evangélica
o homem assaz conhecido, por ser um literato distinto,
titulado com carta de Bacharel em Direito, tendo já ocupado
os cargos de Presidente de Província, Deputado a As-sembléia
Geral, porém completa e absolutamente es-tranho à ciência médica.
Esse espetáculo, preciso confessar, porque é meu propósito
dizer toda a verdade, edificou-me no meu es-pírito,
aniquilado então, com tais proporções, que o sor-riso de
mofa e de crença tornou-se-me em uma con-templação mística,
que só pode ter um espírito cheio de fé, em um Templo de
Caridade, presidido por um Ente divino.
Ao tocar a minha vez, eu disse que ia procurar remédios para
minha mulher.
Respondeu-se-me que só se davam remédios aos pobres, e a
esses mesmos quando desenganados por mo-léstias julgadas
incuráveis.
Insisti, pedindo que me valesse por caridade, por-que minha
mulher estava desenganada, certificando-lhes que era essa a
minha última esperança, e sem que me deixassem referir a moléstia
de que sofria minha mu-lher, tendo-se-me pedido só o seu
nome, eu vi deitar em dois vidros, cheios de água, algumas
gotas de tin-tura homeopática, que me foram entregues para
dar à enferma.
Ainda me revoltei, a principio, pelo fato de não se querer
averiguar dos sofrimentos e nem ao menos indagar do diagnóstico
dos médicos, mas era com efeito a minha última esperança e
fui portador desse pre-sente do Céu, que, ao ser administrado
à enferma, deu--lhe logo alívios extraordinários e, depois
de alguns anos de aplicações emanadas da mesma fonte, obteve
como resultado a vida e a saúde que até hoje desfruta; até
hoje, há doze anos!
Diante de fato tão extraordinário e tão real, fato
corroborado por muitíssimos outros que fui presenciando dia a
dia, tomei o firme propósito de só formar juízo depois de
estudo sério e refletido. E' assim que tratei de estudar com
os livros do Mestre, e com mui-tos outros de menor importância,
a Revelação da Revelação sobre os quatro Evangelhos,
recebida dos Espíritos e coordenada por Roustaing. Tratei
igualmente da verificação prática, trabalhando
regularmente, durante dois anos, com médiuns que reuni em uma
sala para isto especialmente construída em minha residência.
Foi nestes trabalhos que verifiquei todas as ver-dades
expendidas na referida obra de J. B. Roustaing. Dentre muitos
fatos que aí se deram, recordo-me de que o habilíssimo
professor de Filosofia, J. Rodrigues de Macedo, admirado de
ver-me fazer parte de uma sociedade de visionários, segundo
sua opinião, pediu-me para assistir a uma sessão, e, por
intermédio do médium Frederico, o pai dele, falecido há
anos, em São João do Príncipe, dirigiu-lhe uma felicitação
com letra firme, semelhante à sua, o que foi reconhecido e
de-clarado pelo filho absorto na. contemplação desse impossível!-
Foi finalmente neste grupo que eu tirei a prova cabal e
satisfatória de todos os fatos tidos como so-brenaturais para
quem ignora as causas e cuja ver-dade pode ser atestada pelos
meus companheiros, muito mais adiantados na doutrina:
Bittencourt, Frederico, Nascimento, Santos, Neto, Campos, e
Couto, que ainda vivem, além de Isabel Sampaio, Silva,
Borges, Gama, Leite, que, desencarnados, já se têm
certificado da ver-dade de tudo que nos foi ensinado.
Mas, meu irmão, depois de tanto ter-vos escrito,
vejo que me distrai do fato, um dos últimos e um dos
importantes que mais efeito produziu no meu espírito e que
por isso mesmo não posso omitir.
Constituído esse escritório como templo de cari-dade, em que
Bittencourt dava remédios aos pobres de-senganados pelos médicos,
tornou-se ele o médico de nossa família, com tal êxito que
as moléstias, as mais insignificantes como as mais
complicadas, foram sem-pre combatidas com o mesmo esplêndido
resultado, o que foi presenciado até por alguns médicos,
nossos ín-timos amigos.
Um dia, cuja data me escapa, tendo-se Bittencourt retirado de
nossa casa, seriam cinco horas da tarde, como era de costume,
veio da rua o nosso criado Ce-lestino gravemente doente com
sufocação e slncopes que pediam socorros imediatos e enérgicos,
o que nos de-sassossegou muito, de sorte que eu, minha mulher
e todos da casa mentalmente lastimávamos a ausência de
Bittencourt, tanto mais quanto ignorávamos onde se pudesse
encontrá-lo e se em tempo de salvar o en-fermo. Recordo-me eu
que nesse estado aflitivo disse mentalmente: «Bittencourt,
onde quer que te aches, vem valer-nos nesta aflição», e,
dentro em pouco tempo, ou-vimos batimentos fortes na porta e a
voz de Bitten-cøurt que nos chamava «abram, que querem de
mim?», e, entrando precipitadamente, levamo-lo à cabeceira
do Celestino a quem deu alívio em poucos momentos.
Con-tou-nos então que, achando-se a jantar com alguns ami-gos
em um hotel, fora despertado por nossos chama-dos angustiosos,
e pressuroso viera acudir-nos.
E assim, meu irmão, para não abusar por mais tempo da vossa
benevolência, porque, como esses, mui-tíssimos fatos vos
podia referir, finalizo esta já tão extensa carta,
asseverando-vos que dessa época em dian-te, convencido da
verdade da Santa Doutrina Espírita, professo-a por convicção
feita pelo meu estudo e pela minha experiência de doze anos,
sem me embaraçar o juízo que de mim possa fazer este ou
aquele sábio.
Não longe vem o tempo de, confirmação de tudo que se nos
disse e de tudo que se nos mostrou a res-peito da sagrada
Doutrina do Justo: e bem-aventura-dos os que na hora suprema
tiverem o Cristo em seu coração, porque esses verão a luz
em todo o seu es-plendor.
Do vosso humilde irmão,
o advogado ANTONIO LUIZ SAYAO."
UMA EXPERIÊNCIA COM O
MÉDIUM SLADE
Quando o famoso médium norte-americano Henry Slade esteve no
Rio de Janeiro, em 20 de Junho de 1888, uma Comissão da
Federação Espírita Brasileira diri-giu-se certo dia ao
local onde ele se hospedara.
Eis, a seguir, o relato do que aconteceu nessa vi-sita, feito
por Bezerra de Menezes nas páginas do Reformador de 15 de Março
de 1889:
"Seria uma hora da tarde, quando eu, o Dr. Saião, o médium
Nascimento e o professor Alexandre nos apresentámos na casa
de pensão, morro da Glória, onde se achava Slade hospedado.
Acolhidos amávelmente, ficaram na sala de recep-ção
Nascimento e Alexandre, levando-nos a mim e a Saião para uma
saleta, onde havia uma mesa, sobre a qual estavam duas ardósias.
Deu uma a Saião e outra a mim, para que as exa-minássemos e
limpássemos, o que foi feito com o maior cuidado, e, sem que
mais permitíssemos que Slade nelas tocasse, demos princípio
ao trabalho.
A saleta tinha uma janela aberta para fora, de modo que a luz
do dia lhe dava a mais completa cla-ridade.
Slade mandou Saião depor sua ardósia sobre a mesa, pôs
sobre ela uma insignificante porção de lápis, e disse-me
que assentasse a minha ardósia sobre a ou-tra, de modo que a
partícula de lápis ficou entre as duas.
Feito isto, mandou-me tomar as duas pedras com a mão direita,
de modo a tê-las unidas, e levou minha mão com as pedras à
altura do meu ombro esquerdo, onde as apoiei.
Slade colocou suas duas mãos sobre a mesa, e com as duas de
Saião e a minha esquerda livre formou a cadeia magnética.
Começámos a ouvir estalidos na mesa, e em me-nos de dois
minutos ouvimos, entre as pedras, bem sen-slvelmente, o cricri
do lápis.
Assim que cessou o ruido, eu abri as pedras, e en-contrei, na
face interna de uma, duas comunicaçães, separadas por um traço
de lápis.
A primeira, assinada por L. de Mond, estava es-crita em francês,
e dizia:
«Un homme sage est au dessus de toutes les injures qu'on peut
lui dire .La grande repanse qu'on
doit faire aux outrages c'est la moderation et la pa-tience.
»
Parece que o Espírito escolheu um conceito ade-quado às
minhas condições.
A segunda, escrita em inglês, continha estas pa-lavras:
«Yes, my friends, the above is quite truzf all men would act
to the above it would be much better for all.
I'm Dr. Davis . »
Por minha honra afirmo que este fato estupendo passou-se como
o refiro, e o pode confirmar o ilustre Dr. Saião.
Não tendo as pedras, que limpámos, saído de mi-nhas mãos,
e tendo eu ouvido claramente o ruído do lápis sobre o meu
ombro, tenho certeza de que nenhum dos três presentes foi
autor daquelas notáveis comu-nicações.
(a) Dr. BEZERRA DE MENEZES."
O «GRUPO ISMAEL»
A Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Ca-ridade,
fundada em 23 de Março de 1876, vivia nos anos de 1879 a 1880
num ambiente de discórdias decorrentes da vaidade e do
orgulho de alguns dos seus membros, que chegaram mesmo a mudar
o titulo da referida asso-ciação para Sociedade Acadêmica
Deus, Cristo e Cari-dade. Já antes, dela haviam saído duas
sociedades, que desapareceram em 1879: Congregação Anjo
Ismael>, surgida em 20 de Maio de 1877, e O (Grupo Espírita
Ca-ridade», instalado em 8 de Junho de 1878. Em virtude dos
últimos fatos, certos componentes se apartaram dela, e
fundaram em 1880 o Grupo Espírita Fraternidade.
Numa tentativa de conciliação cristã, Salão, unido
a bons companheiros, convida a todos para uma reunião
a 6 de Junho de 1880. A ela compareceram vinte e
quatro membros de ambas as Sociedades, os quais pro-curaram
estudar diversos problemas, objetivando a união
para mais eficiente divulgação da Doutrina.
Apesar dos esforços e da boa vontade de Saião e dos
prudentes conselhos dos Guias espirituais, os mem-bros
presentes às reuniões não souberam conservar aquele espírito
que o Evangelho ensina. Cada qual emi-tia seu ponto de vista,
sem aquela tolerância que kar-dec praticou, e em pouco tempo
a desarmonia se acen-tuou, a todos convencendo da
improbabilidade de se chegar ao resultado em mira.
Diante de tudo isto, Saião, inspirado pelos Maio-res da
Espiritualidade, funda um Grupo destinado ao estudo e à prática
dos Evangelhos (denominado «Grupo Ismael, desde que se
incorporou à Federação Espírita Brasileira), cuja primeira
reunião data de 15 de Julho de 1880, em seu escritório, à
rua Luís de Camões, num sobrado, junto ao antigo n9 5. Dessa
primeira sessão participaram, além de Saião, como diretor
dos traba-lhos, os seguintes médiuns, todos de grande fé e
de ele-vada moral: Frederico Pereira da Silva Júnior, João
Gonçalves do Nascimento, Manuel Antônio dos Santos Silva,
Francisco Leite de Bittencourt Sampaio e sua es-posa Isabel
Maria de Araújo Sampaio. Vários Espíritos Superiores se
fizeram ouvir nesta memorável noite, entre eles o glorioso
ismael, que assim principiou sua mensa-gem, por intermédio do
médium Frederico:
«Assim é, amigos e companheiros de trabalho: eu folgo, eu me
rio de contentamento quando vos vejo reunidos, empregando
todos os esforços, na altura de vossas forças, para
reabilitar o Espiritismo ainda em começo no Brasil, e no
entanto já desnaturado pelos homens que não se sabem
governar pela razão e pelo bom-senso, pelas leis traçadas
pelo Divino Mestre.
«Eu folgo e me junto convosco para ver se pode-mos realçar
os brilhos dessa doutrina por sobre a Hu-manidade inteira, até
hoje esquecida das lições do Divino Mestre. »
As reuniões do Grupo eram realizadas às sete ho-ras da
noite, no mesmo horário das de hoje, e aquele núcleo evangélico
dentro de pouco tempo ficou conheci-do como o «Grupo dos
Humildes», ou «Grupo do Saião». Inúmeras instruções
foram fornecidas posteriormente pelos Guias, sendo que na
segunda sessão o Espírito de Frei José dos Mártires
comunica estar encarregado de auxiliar «o irmão Saião em
seus trabalhos», devido aos laços que a ele o prendiam, de
passadas existências.
Estava assim consolidada no Brasil a célula má-ter do Anjo
Ismael, cuja existência já vai para quase um século, e onde
milhares e milhares de Espíritos têm encontrado a estrada da
salvação. Nesse Grupo, Ismael estabeleceu a torre de defesa
de toda a Federação Espírita Brasileira.
SEUS LIVROS
"Neles encontrareis o que há. de mais adiantado em
Espiritismo, colhido na seara bendita, com a alma cheia de
amor, humildade e fé, as virtudes que enas-tram a coroa do
discípulo de Jesus, votado á obra do Mestre Divino, com o
coração cheio de energias e de caridade evangélica." -
Bezerra de Menezes.
Saião, mais tarde, em 1893, reuniu os trabalhos processados
em cinquenta e nove sessões, repletos de belíssimas e
instrutivas comunicações dadas por Espíritos de grande luz,
e deu publicidade a um livro de 100 páginas, intitulado: «TRABALHOS
ESPÍRITAS de um pequeno grupo de crentes humildes».
Passam-se os anos, e em Janeiro de 1897 Saião publica mais um
livro de sua lavra: «ESTUDOS DOS EiVANGELHOS em espírito e
verdade», obra que em 1902 saiu em segunda edição refundida
e aumentada, agora com novo título, que até hoje conserva:
«ELU-CIDAÇÕES EVANGÉLICAS à luz da Doutrina Es-pírita».
Datado de Abril de 1896, há um excelente prefá-cio de Saião
dirigido ao leitor e que assim principia:
«Da árvore do bem, a cuja sombra repousei um dia, cansado
das fadigas de uma existência atribulada, colhi os dulçurosos
frutos, que hoje convosco reparto.
«Em maior abundância quisera dar-vo-los; infeliz-nente, a
hora da colheita não foi ao levantar da aurora, nas sim ao
cair da tarde.
«Poucos, esses mesmos não seriam colhidos, se de Jesus a luz
bendita não viesse afugentar da noite as trevas, que já se
apropinquavam no horizonte e que me envolveriam em meio dos
meus labores.
«As páginas deste humílimo livro simbolizam os frutos de
que vos falo. Nelas encontrareis as doçuras de uma outra
vida; nelas encontrareis o remanso das vossas dores, se
porventura sofreis »
Reformador de 1 de Fevereiro de 1897 publicou longa crítica
sobre o livro recém-aparecido, da qual ex-traimos estes
breves trechos:
«Altíssima é a missão dos que foram escolhidos para
fazerem na Terra a obra de Deus: a divulgação do Evangelho
segundo o Espiritismo; e dentre aque-les missionários
espalhados por toda a Terra levanta-ram-se, entre nós,
Bittencourt Sampaio, com a sua Divina Epopéia, e Antônio Luís
Saião, com os Estudos dos Evangelhos.
«Aquele limitou seu trabalho, que é monumental, ao Evangelho
de São João. Este ergueu seu monu-mento sobre os de S.
Mateus, S. Marcos e S. Lucas. Um completa o outro e ambos dão
a luz, que a gera-ção hodierna pode suportar, sobre a.
doutrina cristã, cujos horizontes se estendem, como é de
mister, àquela luz, ao magno esforço dos dois atletas da
revelação espírita.»
«Seus trabalhos podem ser ditos: perfeito resumo da
interpretação dos Evangelhos em espírito e verdade, segundo
Roustaing, corrigido e aumentado em certos pontos, sempre sob
a assistência dos Altos Espíritos . »
«O Reformador felicita o autor, felicita os espí-ritas,
felicita a Humanidade, pelo aparecimento de mais um astro de
luz no horizonte da Terra! »
Bezerra de Menezes, sob o pseudônimo de Max, res-pondendo,
pela Gazeta de Notícias de 22 de Abril do mesmo ano, a uma
consulta quanto à adoção das obras de Saião nos Grupos Espíritas,
fêz extensa e luminosa exposição esclarecedora, comparando
Kardec e Rous-taing, e, ao referir-se às E1ucidações Evangélicas,
de-clarou:
«O livro de Saião é um resumo do Roustaing, com as
vantagens de Allan Kardec.
«É, portanto, correto e adiantado, sob o ponto de vista
doutrinário - e é claro e conciso sob o ponto de vista do método.
«Por outra: contém as idéias de Roustaing e o método
incomparável de Allan Kardec.
Quem compreender a progressividade da revela-ção não pode
recusar preito a Roustaing - e quem quiser colher, em
Roustaing, os frutos preciosos de sua inspiração, muito
lucrará estudando o livro (os li-vros) de Saião.
«É chave de ouro, que ninguém deve desprezar -e que, além
de ser tal, encerra observações e práticas que, por si sós,
recomendariam o hercúleo esforço do Anteu do Espiritismo no
Brasil. »
ALGUNS EXCERTOS DE SAIÃO
«O Evangelho é o livro do coração; cura as fe-ridas do
sentimento,porque destila o amor de Jesus-Cristo; consola o
desconforto dos aflitos, porque dele se evola a essência da
verdade divina, gradativamente propiciada aos filhos de Deus,
para a escalada glo-riosa do futuro. Por ele, é certo,
aumenta a criatura o seu patrimônio intelectual, com
conhecimentos pura-mente espirituais; porém, a sua finalidade
máxima é formar o patrimônio moral da Humanidade. »
«Todas as pessoas que almejam ser espíritas de-vem
convencer-se de que a Doutrina Espírita veio cum-prir a
grandiosa missão de conduzir a Humanidade à perfeição, a
essa perfeição que impulsiona o homem a amar o seu Mestre, o
seu Salvador. »
«A Doutrina Espírita é a fonte donde sai a água viva para
saciar a sede, qual a oferecida por Jesus à Samari-tana, e
que virá a ser, em quem a beba, uma fonte de água, que salte
para a vida eterna (João, 4:10 a 14)"
«A Doutrina Espírita, como ciência, nos ensina a conhecer
as causas e os efeitos, aplicando o critério da nossa razão,
com as regras da lógica e os princí-pios das verdades
demonstradas; e nos dá o conhecimento, a compreensão, a
consciência, a convicção das verdades eternas. E sobre essa
base sólida construí-mos o edifício inabalável das nossas
crenças, da nossa fé, das nossas esperanças, da justiça,
da piedade e, assim, temos o fio que nos liga a Deus. Essa
ligação, profunda, íntima, nos impõe um culto, qual o que
não podemos deixar de render a tudo que é grande, impo-nente
e sublime ! »
«Eis em que consiste a religião; eis a razão por que dizem
a verdade os que sustentam que o Espiritismo é uma ciência e
ao mesmo tempo uma religião.»
«Toda a nossa felicidade está na verdadeira orien-tação
traçada por Nosso Senhor Jesus-Cristo, isto é, na prática
dos seus ensinamentos, bebida diretamente na fonte pura dos
seus Evangelhos, entendidos em es-pírito e verdade, como nos
ensinam as Estrelas que baixam do Céu, representantes do
Consolador, do Espírito da Verdade.»
«A verdadeira orientação do espírita está em es-tudar,
compreender e praticar os Evangelhos e assim limpar o seu coração,
para dele fazer o tabernáculo onde habite Jesus.»
SUA DESENCARNAÇAO
Estava o grande trabalhador da causa espiritista com setenta e
quatro anos de peregrinação terrestre, quando repentina
enfermidade, de alguns dias apenas, o convocou para a pátria
espiritual, para a vida imortal.
Era ele uma voz ponderada e firme na pregação dos princípios
evangélicos, e devemos frisar que sob este aspecto o
Espiritismo no Brasil muito lhe deve.
No Além, seu luminoso Espírito continua, como ardo-roso apóstolo
do Evangelho, a edificar filhos transviados da Verdade, tão só
com o amor que espontaneamente se lhe irradia do coração.
Sob o pseudônimo de «Discípulo de Max», a alma bondosa de
Pedro Richard apologizou (e ninguém me-lhor o faria), com
sinceridade e justa admiração, a exis-tência e a obra do
venerando pregador cristão, de quem fora por longos anos
companheiro fiel e a quem suce-deu na direção do «Grupo
Ismael'.
E' uma pagina rica de ensinamentos, e que não poderemos
deixar de aqui transcrever do Reformador» de 15 de Abril de
1903:
«Mais um trabalhador da santa cultura de Nosso Senhor
Jesus-Cristo cai na arena.
Tomba o corpo, mas surge o Espírito em toda a plenitude da
vida, pujante e forte, e cheio da miseri-córdia que a
mancheias derrama o nosso Divino Mes-tre sobre todos os seus
discípulos, que, à custa de lutas encarniçadas contra os
arrastamentos da matéria e preconceitos sociais, e de
sofrimentos necessários e sem-pre merecidos, de fracos se
fizeram fortes, de peque-nos se fizeram grandes.
A vida de um justo é sempre um exemplo a se-guir-se.
E' preciso que a família espírita conheça a vida dos seus
irmãos, que nesta peregrinação souberam cum-prir o seu
dever de verdadeiros cristãos, a fim de que exemplos tão
salutares possam ser aproveitados pelos nossos espíritos,
que, assim estimulados, hão-de pro-curar imitá-los.
Ontem era Bittencourt Sampaio, Bezerra de Me-nezes, Maia de
Lacerda, etc.; hoje é Saião que, aban-donando o casulo
grosseiro da matéria, surge dourada borboleta a singrar o
espaço infinito, em busca da Grande Luz.
Agora, que desapareceu o homem e que, portanto, jâ não pode
ser atingido pelo orgulho e pela vaidade, podemos falar
abertamente dos seus feitos, para que sirvam de lição à família
espírita.
Antônio Luís Saião pediu ao nosso Criador a maior e a mais
perigosa das provas que pode um Espírito pedir: a riqueza
material, comprometendo-se, porém, a adquiri-la à custa de
muito trabalho e a fazer-se espí-rita, para pregar a doutrina
de Jesus, pelos exemplos de toda a ordem, notadamente pelo
desprendimento dos bens terrestres que lhe fossem
proporcionados pela ri-queza adquirida. E, de fato, é a
riqueza a prova mais perigosa e o compromisso mais sério que
pode um Es-pírito tomar, pelos embaraços cruéis que lhe opõem
os dois grandes inimigos da alma: o orgulho e a vaidade, além
das exigências a que todo instante nos obriga unia sociedade,
como a nossa, sem crença e sem moral.
Para se avaliar a grandeza da prova pedida por Saião, basta
que nos lembremos das palavras de Jesus aos seus apóstolos, a
propósito do mancebo rico que o consultou sobre o que
necessitava fazer para salvar-se.
Disse o Divino Mestre aos seus discípulos, depois de
aconselhar o moço: «Mais depressa passa um ca-melo pelo
fundo de uma agulha, do que se salva um rico. »
Bem se vê que esta luminosa sentença não pode comportar a
tradução servil que as letras lhe empres-tam. E' um tropo
empregado por Jesus para signifi-car à Humanidade a
dificuldade com que tem de lutar um Espírito, que para esta
existência trouxe a prova da riqueza, para se salvar. Notemos
bem: a dificuldade e nunca a impossibilidade.
Pois, meus irmãos, graças ao nosso Pai, soube Saião
desempenhar-se brilhantemente do compromisso que tomou, e
salvou-se, porque perseverou até ao fim, tendo em toda a sua
vida uma única preocupação: ser-vir ao nosso Bom Senhor. E
não é lícito pôr em dú-vida a sua salvação, porque
disse o Divino Pastor:
«Aquele que perseverar até ao fim, será salvo. »
*
Tracemos um bosquejo, se bem que imperfeito, da sua passagem
pela Terra.
Antônio Luís Saião encarnou em meio muito po-bre e só à
custa de muitos sacrifícios materiais conse-guiu formar-se em
Direito, na Academia de S. Paulo (1).
Quem desconhece o que é a vida de um estudante pobre, que nem
livros tem para estudar, e que é obri-gado a comer e a pagar
a moradia à sua custa?! E o que veste e o que calça?
Pobrezinho! usa a roupa e o calçado, ora um tanto apertados,
ora mais largos, dos seus companheiros de república, que,
generosos e bons, como sói ser a mocidade acadêmica, têm-no
em geral em alta consideração. Nem uma vela para estudar à
noite, nem um vintém no bolso! Enquanto os colegas se
divertem nos teatros, bailes e serenatas, ele estuda à luz do
lampião da sala da república, ou pede ao sono reparador o
descanso de que necessita o seu corpo de-pauperado de forças
nas lutas do dia.
(1) Atual Faculdade de Direito de S. Paulo. A sua turma é de
1848, e foram seus colegas Manuel Antônio Álvares de
Azevedo, Antônio Aguiar Barros (futuro Mar-quês de Itu),
Batista Caetano de Almeida Nogueira, Ber-nardo Augusto
Rodrigues da Silva, Antônio Gonçalves Go-mide, Francisco
Pinheiro de Escobar e outros nomes ilus-tres da época. Desta
turma conseguiram formar-se apenas 21 bachareis, em 1852. -
(Nota da Editora.)
Vencendo todas as dificuldades, formou-se em Di-reito e veio
para esta capital exercer a sua profissão, e dela escolheu a
parte mais simpática e mais sã, qual seja a defesa dos
criminosos, da tribuna do Júri, que então era ilustrada
pelos vultos eminentes de Busch Varela, Ferreira Viana e
outros luminares da jurispru-dência, e que naqueles tempos
soubera.m fazer renome.
Saião, enfrentando com tais competidores, jamais se deixou
ficar na retaguarda e fêz-se notável advo-gado (2).
DISCÍPULO DE MAX."
*
Trabalhador incansável e extremamente econômico, conseguiu
fazer fortuna, poupando e guardando as par-cas economias que
lhe sobravam das suas restritas ne-cessidades materiais.
Talento modesto, aliado ao desejo de bem servir ao Senhor,
jamais se deixou atingir pelo orgulho e pela vaidade, ou pelas
sugestões do fausto e da orgia. Seu vestuário sempre foi sério,
simples e decente, sua ali-mentação sólida, parca e sóbria.
Em 1878, mais ou menos, se fêz espírita.
Teve então de travar luta titânica contra as suas tendências
católico-romanas, não compatíveis com os Evangelhos de
Jesus, que acabava de abraçar, e, so-bretudo, contra os
preconceitos sociais-religiosos, que naqueles tempos pareciam
insuperáveis.
Tomou para seu companheiro e mestre o seu co-lega Bittencourt
Saxnpaio, que aqui na Terra tão bem soube orientá-lo e, no
espaço, depois que para lá foi, melhor soube encaminhá-lo
com seus conselhos diários e ampará-lo com a sua ascendência
moral.
(2) Em 7 de Fevereiro de 1858, era eleito membro do Conservatôrio
Dramático do Rio de Janeiro. - (Nota da Editora.)
Feita a aliança espiritual entre os dois servos do Senhor,
tiveram que lutar heròicamente contra as trai-çoeiras
ciladas que lhes armavam a todo o instante os Espíritos das
trevas, com o intuito perverso de sepa-rá-los.
A luta foi encarniçada e tantos foram os estrata-gemas de que
usaram os inimigos do espaço, para romper o laço que ligava
esses dois espíritos aqui na Terra, que narrá-los é impossível.
Mais de uma vez teve Saião de pôr em prova a sua humildade,
para evi-tar que se quebrasse um só dos elos da cadeia que o
prendia ao seu mestre e amigo.
Seu lar, nos tempos ignominiosos da escravidão, era o céu
dos desgraçados que tinham pedido a prova de ser escravos.
Nele se acolhiam, para de escravizados ficarem livres, pois
eram tratados pelo «senhor» como irmãos e amigos e se
constituíram membros da sua família. Que o digam os Moisés,
os Celestinos e as Joanas, cujos filhos eram por ele
acalentados e multas vezes nos seus próprios braços
entregavam o Espírito ao Criador.
Pela modéstia do seu viver e porque não se imis-cuía nas
lutas egoísticas doe homens, a sociedade, que não o
compreendia, supunha-o usurário. Ele, usurá-rio! ele que
repartia pròdigamente com os necessitados os seus haveres!
Mas, porque seguia o preceito evangélico: «a mão direita não
deve ver o que dá a esquerda», Saião era um usurário!
Bem fizeste, amigo! Bem soubeste fazer!
A sua bolsa sempre esteve aberta à verdadeira ne-cessidade.
Jamais irmão algum que lhe pediu pão, ou lhe solicitou
abrigo, passou fome ou se viu privado de teto. Bastava saber
onde estava a miséria, para que Saião corresse pressuroso a
ampará-la.
Os seus atos de caridade são inúmeros. Citá-los é impossível;
descrevê-los, ocioso. Apenas me limita-rei a contar um.
Ei-lo:
Uma vez em que o médium Guimarães foi a um miserável quarto
de certa casa, numa das ruas desta Capital, levar a uma pobre
enferma os recursos mediú-nicos que reclamava o seu estado de
saúde, viu, ao entrar, que alguém se ocultara atrás da
porta; insti-gado pela curiosidade, procurou ver quem era e pôde
então lobrigar a cabeça do velho Saião, que ali fora
repartir com a desgraçada a moeda material e levar-
-lhe ao mesmo tempo o conforto espiritual que com tanta dedicação
soube haurir nos Evangelhos.
A sua vida espírita foi cheia de episódios e lutas impossíveis
de descrever num modestíssimo escrito de jornal. Contudo,
esforçar-me-ei por contar alguns.
Saião e Bittencourt Sampaio pertenceram à Socie-dade «Deus,
Cristo e Caridade» até o dia em que uma divergência
determinou a saída dos membros que não se deixaram arrastar
pelo orgulho da ciência. Foi en-tão quando resolveram fazer,
no dia 6 de Junho de 1880, uma reunião em sua casa, a fim de
concertarem a res-peito do destino que deveriam tomar, e o
resultado foi a fundação do «Grupo dos Humildes»,
vulgarmente co-nhecido por «Grupo Saião», dirigido
espiritualmente pelo anjo Ismael e materialmente por ele, Saião.
O que se passou na primeira fase desse Grupo está
minuciosamente descrito no seu livro inicial, intitulado «Trabalhos
Espíritas». Foi tempestuosa e, por isso, mui-tas lágrimas
custou ao pobre do Saião.
A segunda fase foi mais calma e deu-lhe ensejo a que
publicasse o seu segundo livro, que denominou «Estudos Evangélicos»,
livro que tantos e tão relevan-tes serviços tem prestado aos
que se entregam ao es-tudo da Doutrina Espírita. Foi quando
desencarnou o bom Bittencourt Sampaio.
Desde essa data entrou o Grupo na sua terceira fase, que não
foi para Saião tão tempestuosa quanto a primeira, mas que se
caracterizou pela luta que ele teve de sustentar com os Espíritos
das trevas, quando
o Grupo sucessivamente recebeu os livros «Jesus pe-rante a
Cristandade» e «De Jesus para as Crianças», ditados pelo
Espírito de Bittencourt Sanipaio e publi-cados por Saião, e
iniciou o «Do Calvário ao Apoca-lipse».
Ele pressentiu o termo da sua jornada sobre a Terra poucos
dias antes da sua partida para as re-giões espirituais.
Isto vos posso afirmar, leitor, pela sua seguinte previsão:
Tendo-se esgotado a edição dos «Estudos Evangé-licos»,
ele os reeditou com o título de «Elucidações Evangélicas»,
e enriqueceu-o com muitas e belíssimas comunicações
recebidas no Grupo, que vieram trazer aos diversos pontos
evangélicos, por ele estudados, muita luz de intenso clarão.
Este livro saiu do prelo, e, apresentando um exem-plar a um
confrade, disse-lhe ele:
«Este é o último canto do cisne. »
E o foi, de fato. Dias depois, deixava o fardo pe-sado da matéria
e voava para a verdadeira pátria, onde foi receber do nosso
Divino Mestre o prêmio de tanta luta e de tantos sacrifícios
sofridos sem revolta nem queixume.
Se a sua vida foi um exemplo perene, digno de ser por nós
imitado, a sua desencarnação não o é menos.
Durante a enfermidade que o acometeu, se acusava grandes
sofrimentos, não se queixava jamais; ao con-trário, dizia
sempre que se fizesse a vontade de Deus! O seu desprendimento
foi calmo e mesmo sem contra-ções. Desencarnou como um
justo, balbuciando uma Ave Maria.
Assim vivem e assim desencarnam os verdadeiros de Nosso Senhor
Jesus-Cristo.